INARA – capítulo 3 – Emanuel

foto: Art Ranked, casal dançando – wallpaper

Taquarituba era uma cidade pequena, cercada de fazendas ao redor. Assim como em Angatuba, estava lotada de jovens em férias.

Inara saía com os primos para passear pela cidade, pelas praças, ia à casa de amigos e aos bailinhos do clube.

Num domingo, eles foram à matinê do clube, que já estava lotada de rapazes e meninas.

De repente, um rapaz, em especial, chamou-lhe a atenção. Era muito bonito. Moreno, não era tão alto. Tinha os olhos brilhantes, grandes e azuis, que de longe eram notados. Elegantemente vestido.
Calça social escura, camisa branca e uma blusa azul turquesa jogada nos ombros. O suéter era da mesma cor dos olhos.

Inara não conseguia desviar o olhar dele e se encantou. Ele também estava com os olhos fixos nela. Não saberia dizer quem viu o outro primeiro. E assim ficaram por alguns instantes, entreolhando-se. Sem dúvida havia um magnetismo forte. Ao conseguir desviar daquele olhar hipnotizante, perguntou à prima: 

– Quem é aquele rapaz bonito que nāo para de olhar para cá?

A prima respondeu:

– Já observei que ele está olhando para cá desde que você chegou. Aliás todo mundo reparou que vocês não tiram os olhos um do outro.  O nome dele é Emanuel. Pertence a uma das famílias mais ricas da cidade. Sāo fazendeiros. A casa deles fica pertinho da nossa. Mas ele e o irmão nāo moram aqui, só os pais.

Inara impaciente perguntou:

– Mas onde eles moram? 

– Eles moram em Sāo Paulo para estudar e vêm uma vez por mês visitar os pais e também quando estão em férias.

Quando ela olhou de novo para o rapaz, ficou gelada, a respiração travou e o coração disparou. Ele estava caminhando em sua direção e agora sorrindo. Tinha uma boca linda, seus dentes eram muito brancos. Ele parecia uma miragem.

Inara, nervosa, pensou: “oh meu Deus e agora? Não vou conseguir abrir minha boca. Quando ele falar comigo, vou gaguejar. Respira, Inara, respira.”

As pernas tremiam. Ela nunca tinha sentido isso antes. Ele, com sua voz rouca, forte e segura disse:

– Você quer dançar comigo? A vontade era responder: “não! O que eu quero é te abraçar e beijar essa tua boca linda.”

Nenhuma palavra ela conseguiu pronunciar, apenas estendeu a mão. Ele a pegou e dirigiram-se para o centro do salão.  Sua mão estava gelada, mas a dele, quente e macia. Dançaram a primeira música, a próxima e todas as que vieram em seguida. Não pararam de conversar até o final do bailinho. Então, disse ele:

– Posso te levar pra casa? 

Ela apenas balançou a cabeça, afirmativamente.

Caminharam para o carro, ele abriu a porta para que ela entrasse. Deu a volta, sentou-se no lugar do motorista e imediatamente virou-se para ela, abraçando-a e beijando-a delicadamente. Ela nunca mais esqueceu o sabor daquele beijo.

O namoro começou naquele instante. Passaram o restante das férias juntos, explorando todos os lugares bonitos da cidade.

Às vezes, ela se lembrava da traição de Nélson e pensava que apesar de feliz, ainda se vingaria dele.

Emanuel a fazia esquecer isso tudo em um piscar dos olhos azuis. Charmoso, doce, romântico, sorriso contagiante, não sabia o que fazer para agradá-la. Assim, as férias chegaram ao fim. Era hora de voltar para casa.

Emanuel voltaria para São Paulo uma semana depois.

Combinaram que ele passaria por Angatuba, que fica no meio do caminho para São Paulo, assim poderiam estar juntos nem que fosse por alguns minutos. Ele prometeu que faria isso todas as semanas.

Entre Taquarituba e São Paulo, são trezentos quilômetros de distância. Distante para ele viajar com tanta frequência. Não queria ficar tanto tempo longe dela. E assim foi feito.

Inara aguardava ansiosamente a visita da semana seguinte. E esta demorava a passar.

Nélson? Ela quase o esqueceu, embora estudassem na mesma sala de aula. Não se falaram mais e ela mal olhava em sua direção. 

Sua felicidade, por já estar com outro e ninguém saber, era inexplicável. Não havia contado sobre Emanuel nem para suas melhores amigas.

O sorriso nos lábios era constante, estava apaixonada e as amigas percebendo a mudança, perguntavam a razão para tanta felicidade. Afinal, sabiam do episódio da traição. Então como poderia estar tão feliz?

Depois de tanta insistência, Inara contou  o que estava vivendo. As amigas não acreditaram, achavam que ela estava mentindo de modo que a notícia chegasse aos ouvidos de Nélson. Diziam que ela queria fazer ciúme a ele. Ela não se importou com os rumores.

E o dia do encontro finalmente chegou. As primeiras aulas demoravam a passar. Ele chegaria na hora do intervalo, após a terceira aula do período.

Ela sempre foi uma excelente aluna, sentava-se na primeira fila para estar bem atenta aos professores. Mas, naquele dia, mal ouvia o que eles falavam. Já começava a sentir o sabor inicial de vingança, imaginando a cena do encontro e todos olhando. Sabia que Nélson iria vê-la com o novo namorado. 

A campainha do intervalo soou, o coração disparou. Ao sair para o pátio, que dava para a rua, ela avistou o seu príncipe encantado, esperando-a, não em um cavalo branco, mas em um carro verde estacionado na rua. Um carro chique que ela nunca tinha visto antes.  Com um motorista uniformizado, Emanuel e o irmão mais novo estavam em pé encostados no carro. Os três conversavam descontraídos.

Quando ele a viu, correu em sua direção e a abraçou. Carregou-a nos braços e levantou para o alto. Parecia uma cena de filme. Emanuel a rodopiava no alto e ela, em uma dessas voltas, viu Nélson e os amigos olhando desconcertados para aquela cena inesperada.

O  intervalo passou rápido, o sinal da escola soou novamente, ela tinha de voltar para a sala de aula. Rapidamente pensou: “hoje tenho um bom motivo para cabular a próxima aula”. Assim o fez. Passaram mais um tempinho juntos e ao soar o sinal da próxima aula, despediram-se. 

Ela sentia um misto de tristeza, alegria e euforia. Triste, porque Emanuel tinha de ir embora. Alegre, porque provou para as amigas que não estava mentindo. Eufórica, porque sentia já um pequeno sabor de vingança, mas ainda não era o suficiente, pensou: “ele terá de pagar na mesma moeda!”

Todos os amigos vieram falar com ela no final do período. Queriam saber os detalhes. Nélson, de cabeça baixa, parecendo derrotado, caminhava sozinho de volta para casa.

O namoro com Emanuel continuou por meio de cartas e visitas semanais, às vezes quinzenais. E a mesma cena se repetia, para passarem juntos os vinte minutos do intervalo entre as aulas. Às vezes, ela cabulava uma aula antes do intervalo para ficarem mais tempo juntos. 

A māe sabia do novo namorado, dava apoio, pois a filha com 15 para 16 anos já tinha a permissão dela para namorar. Só o pai severo, não podia saber, nem desconfiar. Ele pensava que a filhinha querida tinha se aquietado. 

A mãe tinha de viajar constantemente a Sāo Paulo para comprar roupas para sua boutique.  Ela vestia todas as senhoras, jovens e crianças elegantes da cidade. Em algumas dessas viagens, o pai não podia acompanhá-la, então a mãe levava Inara.

Em São Paulo, Inara telefonava para Emanuel e juntos iam ao cinema. A māe, sentava-se lá na frente e eles algumas fileiras atrás, assim podiam trocar alguns beijinhos no escurinho do cinema.

E assim continuaram apaixonados e felizes.

Inara parecia ter-se esquecido do plano de vingança.

Parecia…

Próxima semana
Capítulo 4:
A Vingança

História inspirada em fatos reais, embora alguns eventos, personagens, nomes e locais, tenham sido criados para a composição literária. Qualquer semelhança com a realidade terá sido mera coincidência. YG

2 comments on “INARA – capítulo 3 – Emanuel”

  1. Ivone disse:

    Tchan than tchan tchan !!!!
    Estou sentindo que vem mais vingança aí..
    Nelson nocauteado….Rsrs
    Que romance gostoso….
    Emanuel ❤ Inara

    1. Yara disse:

      kkkk, adoro os seus comentários. beijos amiga

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